Portugal, na sua área continental, é formado por três grandes unidades geológicas: o Maciço Antigo, as Orlas Meso-Cenozóicas e as Bacias do Tejo e do Sado.
O Maciço Antigo corresponde a parte de antigo soco que compreende, essencialmente, séries dominantemente xistentas Pré Câmbricas e Paleozóticas; estas de idades compreendidas entre o Câmbrico e Pérmico e em algumas das quais se geram massas de mármores. Encontra-se localmente coberto de depósitos detríticos discordantes de idades Secundária (ou Mesozóica), Terciária (ou Cenozóica) e Quanternária, cuja espessura não ultrapassa os 200-300 metros. As séries xistentas de Maciço Antigo foram intruídas, durante fases de intenso magmatismo relacionadas com as orogenias hercínia e alpina, por massas de rochas ígneas de natureza diversa, predominando os granitos.
As Orlas sedimentares Meso-Cenozóicas formaram-se, a partir do Pérmico, nas margens continentais a Oeste e a Sul da Península Ibérica, estando relacionadas com os fenómenos tectónicos distensivos que deram lugar à abertura do Oceano Atlântico. As Orlas sedimentares Meso-Cenozóicas Incluem os Períodos Triássico, Jurássico e Cretácico da Era Mesozóica, durante a qual, com relevo para o Jurássico, teve lugar a formação de espessas séries de calcários.
Durante o Terciário (ou Cenozóico) a sedimentação foi essencialmente de natureza arenosa e argilosa.
Destacam-se as Bacias do Tejo e do Sado, que resultaram da instalação de dois importantes golfos subdividindo a Orla Meso-Cenozóica Ocidental durante o Terciário. Funcionaram como zonas de subsidência onde depositaram espessas sequências de sedimentos de natureza detrítica, com um máximo de 1400 m na Bacia do Tejo. Nelas predominam níveis arenosos, mais ou menos grosseiros, com intercalações conglomeráticas e argilosas, e calcários lacustres.
Geologia das áreas produtoras
Calcários e mármores são rochas semelhantes do ponto de vista químico-mineralógico, tendo como constituinte principal o mineral calcite (carbonato de cálcio). Como resultado de processos genéticos diferenciados, estas rochas distinguem-se pelos seus aspectos textuais, os quais se repercutem em características estéticas e tecnológicas bem diferentes.
Os calcários são rochas de origem sedimentar, cuja formação está relacionada com processos de precipitação química e/ou bioquímica sob condições de pressão e temperatura idênticas ou pouco diferentes das que actualmente ocorrem em alguns pontos da superfície da Terra. Neles é comum a ocorrência de fósseis e de estruturas sedimentares diversas, reflectindo as condições ambientais que presidiram à sua formação e que podem constituir atributos estéticos importantes, em particular no que respeita a laminações sedimentares.
Os mármores derivam dos calcários por metamorfismo. A sujeição de rochas calcárias, por efeito de processos tectónicos, a condições de elevada pressão e temperatura que normalmente ocorrem a grandes profundidades no interior da crosta terrestre, conduz a uma completa recristalização dos carbonatos, ao aparecimento de minerais de neoformação e obliteração das estruturas primitivas. Assim, os mármores podem ocorrer com as mais diferentes variedades em função da maior ou menor orientação preferencial desses grãos e em função da sua mineralogia, a qual é reflexo da maior ou menor pureza dos calcários originais. Este último aspecto é um dos principais factores condicionadores de grande variedade de cores que os mármores podem ostentar.
Calcários
A ocorrência de rochas calcárias em Portugal verifica-se fundamentalmente nas chamadas Orlas Meso-Cenozóicas Ocidental e Meridional ou Algarvia. Os principais centros produtores para fins ornamentais localizam-se no Maciço Calcário Estremenho, que se enquadra no contexto paleogeográfico da Orla Ocidental, onde durante o Jurássico se depositaram espessos depósitos de rochas calcárias. É uma região montanhosa sobrelevada relativamente às circundantes por efeito de fenómenos tectónicos compressivos iniciados há cerca de 20 milhões de anos e que se seguiram à abertura do Oceano Atlântico. Os calcários que ocorrem no Maciço Calcário Estremenho distribuem-se, em termos de idades, desde o Jurássico inferior ao superior, realçando-se os do Jurássico médio por serem o principal alvo de exploração para fins ornamentais iniciada em meados do século passado e com um forte incremento a partir da década de 80. De um modo geral, são calcários de tons cremes claros e de granularidade fina a grosseira em que se distingue uma grande variedade de elementos constituintes, em proporções diversas, desde oólitos a fragmentos fósseis, aglutinados numa matriz essencialmente esparítica, ou seja, formada por cristais translúcidos de calcite. Ocorrem em bancadas maciças, de espessura métrica, pouco deformadas e dispostas de modo sub-horizontal. No interior das bancadas, é frequente verificar a ocorrência de estruturas sedimentares planares, com particular destaque para estratificação entrecruzada, o que pode contribuir para o aumento do valor estético das rochas.
Os principais núcleos de exploração no Maciço Calcário Estremenho são os de Pé da Pedreira, Codaçal, Moleanos, Salgueiras (Arrimal), Fátima e Cabeça Veada. Estudos geológicos detalhados destas áreas têm suportado uma adequada avaliação e valorização das suas potencialidades, como forma de apoio à actividade extractiva e contribuindo para ordenamento do território. A área de Pé da Pedreira é a mais relevante desta região e dela são provenientes as variedades Moca Creme e Relvinha. Fazem parte do lote das principais variedades comerciais do MCE, onde se incluem, ainda, o Semi Rijo, o Vidraço de Moleanos e o Alpinina. Estima-se em largas dezenas de milhões de toneladas a quantidade de recursos disponíveis.
Destaque, ainda, para um pequeno núcleo imediatamente a Sul da povoação de Pé da Pedreira (concelho de Santarém), pelo forte desenvolvimento que tem tido recentemente e onde é explorada a variedade conhecida por Azul Valverde. Trata-se de um calcário datado do Jurássico superior que se evidencia dos restantes pela cor cinzenta ligeiramente azulada que ostenta, e que aflora junto ao encosto com um filão dolerítico bastante alterado. Caracteriza-se por uma baixa proporção de elementos granulares relativamente ao cimento que os aglutina e que nesta variedade, é de natureza microesparírica e micrítica, ou seja, constituído por cristais calcíticos de reduzidas a extremamente reduzidas dimensões.
Para além de Maciço Calcário Estremenho, outras regiões do país têm contribuído para a produção de calcários ornamentais, embora actualmente denotem, por razões várias, forte declínio. Estão nesta situação os núcleos de extracçao da região de Pero Pinheiro, a Norte de Lisboa e os de São Brás de Alportel – Tavira, na região Algarvia. Na região de Pero Pinheiro, o grupo principal de afloramentos de calcários ornamentais localiza-se entre as povoações de Lameiras e Negrais, donde provêm algumas das mais tradicionais rochas ornamentais portuguesas, nomeadamente o Lioz, o Amarelo de Negrais, o Encarnado de Negrais, o Encarnadão de Lameiras e o Abancado. São calcários de idade Cretácica, bioconstruídos e bioclásticos, ou seja, resultantes da consolidação de estruturas corafileras em conjunto com outros restos fósseis. O seu elevado valor económico deriva, não só das cores vivas que ostentam e da sua comprovada durabilidade, como também das baixas taxas de produção actuais. A actividade extractiva nesta região ocorreu em duas fases temporais distintas, bem marcadas. Uma fase antiga, que começou há pelo menos 6 séculos, conforme evidenciado pelo uso destas pedras nos antigos edifícios, igrejas e monumentos da região de Lisboa, dos quais se destaca o emblemático Convento de Mafra, pelo seu carácter impulsionador de uso desta pedra, e de que resultaram pedreiras de grandes dimensões. Face á forte expansão urbanística nesta região, a maioria está actualmente inactiva. Recentemente e perante uma fase de edificação de novos edifícios públicos de grandes dimensões, verificou-se um ressurgimento de actividade extractiva, particularmente incidente sobre as muito apreciadas variedades de Encarnado. No que respeita às potencialidades futuras da região de Pêro Pinheiro, embora a existência de recursos na ordem dos 5 milhões de toneladas seja bastante atractiva, a pressão urbanística continua muito forte, pelo que é bastante limitativa da actividade.
A ORIGEM DA PEDRA
■ A ORIGEM DA PEDRA
Portugal, na sua área continental, é formado por três grandes unidades geológicas: o Maciço Antigo, as Orlas Meso-Cenozóicas e as Bacias do Tejo e do Sado.
O Maciço Antigo corresponde a parte de antigo soco que compreende, essencialmente, séries dominantemente xistentas Pré Câmbricas e Paleozóticas; estas de idades compreendidas entre o Câmbrico e Pérmico e em algumas das quais se geram massas de mármores. Encontra-se localmente coberto de depósitos detríticos discordantes de idades Secundária (ou Mesozóica), Terciária (ou Cenozóica) e Quanternária, cuja espessura não ultrapassa os 200-300 metros. As séries xistentas de Maciço Antigo foram intruídas, durante fases de intenso magmatismo relacionadas com as orogenias hercínia e alpina, por massas de rochas ígneas de natureza diversa, predominando os granitos.
As Orlas sedimentares Meso-Cenozóicas formaram-se, a partir do Pérmico, nas margens continentais a Oeste e a Sul da Península Ibérica, estando relacionadas com os fenómenos tectónicos distensivos que deram lugar à abertura do Oceano Atlântico. As Orlas sedimentares Meso-Cenozóicas Incluem os Períodos Triássico, Jurássico e Cretácico da Era Mesozóica, durante a qual, com relevo para o Jurássico, teve lugar a formação de espessas séries de calcários.
Durante o Terciário (ou Cenozóico) a sedimentação foi essencialmente de natureza arenosa e argilosa.
Destacam-se as Bacias do Tejo e do Sado, que resultaram da instalação de dois importantes golfos subdividindo a Orla Meso-Cenozóica Ocidental durante o Terciário. Funcionaram como zonas de subsidência onde depositaram espessas sequências de sedimentos de natureza detrítica, com um máximo de 1400 m na Bacia do Tejo. Nelas predominam níveis arenosos, mais ou menos grosseiros, com intercalações conglomeráticas e argilosas, e calcários lacustres.
Calcários e mármores são rochas semelhantes do ponto de vista químico-mineralógico, tendo como constituinte principal o mineral calcite (carbonato de cálcio). Como resultado de processos genéticos diferenciados, estas rochas distinguem-se pelos seus aspectos textuais, os quais se repercutem em características estéticas e tecnológicas bem diferentes.
Os calcários são rochas de origem sedimentar, cuja formação está relacionada com processos de precipitação química e/ou bioquímica sob condições de pressão e temperatura idênticas ou pouco diferentes das que actualmente ocorrem em alguns pontos da superfície da Terra. Neles é comum a ocorrência de fósseis e de estruturas sedimentares diversas, reflectindo as condições ambientais que presidiram à sua formação e que podem constituir atributos estéticos importantes, em particular no que respeita a laminações sedimentares.
Os mármores derivam dos calcários por metamorfismo. A sujeição de rochas calcárias, por efeito de processos tectónicos, a condições de elevada pressão e temperatura que normalmente ocorrem a grandes profundidades no interior da crosta terrestre, conduz a uma completa recristalização dos carbonatos, ao aparecimento de minerais de neoformação e obliteração das estruturas primitivas. Assim, os mármores podem ocorrer com as mais diferentes variedades em função da maior ou menor orientação preferencial desses grãos e em função da sua mineralogia, a qual é reflexo da maior ou menor pureza dos calcários originais. Este último aspecto é um dos principais factores condicionadores de grande variedade de cores que os mármores podem ostentar.
A ocorrência de rochas calcárias em Portugal verifica-se fundamentalmente nas chamadas Orlas Meso-Cenozóicas Ocidental e Meridional ou Algarvia. Os principais centros produtores para fins ornamentais localizam-se no Maciço Calcário Estremenho, que se enquadra no contexto paleogeográfico da Orla Ocidental, onde durante o Jurássico se depositaram espessos depósitos de rochas calcárias. É uma região montanhosa sobrelevada relativamente às circundantes por efeito de fenómenos tectónicos compressivos iniciados há cerca de 20 milhões de anos e que se seguiram à abertura do Oceano Atlântico. Os calcários que ocorrem no Maciço Calcário Estremenho distribuem-se, em termos de idades, desde o Jurássico inferior ao superior, realçando-se os do Jurássico médio por serem o principal alvo de exploração para fins ornamentais iniciada em meados do século passado e com um forte incremento a partir da década de 80. De um modo geral, são calcários de tons cremes claros e de granularidade fina a grosseira em que se distingue uma grande variedade de elementos constituintes, em proporções diversas, desde oólitos a fragmentos fósseis, aglutinados numa matriz essencialmente esparítica, ou seja, formada por cristais translúcidos de calcite. Ocorrem em bancadas maciças, de espessura métrica, pouco deformadas e dispostas de modo sub-horizontal. No interior das bancadas, é frequente verificar a ocorrência de estruturas sedimentares planares, com particular destaque para estratificação entrecruzada, o que pode contribuir para o aumento do valor estético das rochas.
Os principais núcleos de exploração no Maciço Calcário Estremenho são os de Pé da Pedreira, Codaçal, Moleanos, Salgueiras (Arrimal), Fátima e Cabeça Veada. Estudos geológicos detalhados destas áreas têm suportado uma adequada avaliação e valorização das suas potencialidades, como forma de apoio à actividade extractiva e contribuindo para ordenamento do território. A área de Pé da Pedreira é a mais relevante desta região e dela são provenientes as variedades Moca Creme e Relvinha. Fazem parte do lote das principais variedades comerciais do MCE, onde se incluem, ainda, o Semi Rijo, o Vidraço de Moleanos e o Alpinina. Estima-se em largas dezenas de milhões de toneladas a quantidade de recursos disponíveis.
Destaque, ainda, para um pequeno núcleo imediatamente a Sul da povoação de Pé da Pedreira (concelho de Santarém), pelo forte desenvolvimento que tem tido recentemente e onde é explorada a variedade conhecida por Azul Valverde. Trata-se de um calcário datado do Jurássico superior que se evidencia dos restantes pela cor cinzenta ligeiramente azulada que ostenta, e que aflora junto ao encosto com um filão dolerítico bastante alterado. Caracteriza-se por uma baixa proporção de elementos granulares relativamente ao cimento que os aglutina e que nesta variedade, é de natureza microesparírica e micrítica, ou seja, constituído por cristais calcíticos de reduzidas a extremamente reduzidas dimensões.